sexta-feira, julho 23, 2004


São genéricos, Senhor!



Não estranho que a putativa Secretária de Estado da Defesa passasse, num piscar de olhos, a efectiva Secretária de Estado das Artes e Espectáculos. Aliás, tanto quanto sei, a senhora também era suplente para o cargo de Secretária de Estado da Saúde e estava na reserva para Secretária de Estado da Educação.

O que é perfeitamente normal. Nada inverosímil, ou sequer inédito, alguém dominar, simultaneamente, as questões da Defesa, das Artes e Espectáculos, da Saúde e da Educação: há, certamente, por aí aos caídos inúmeros descendentes de militares que gostam de circo, apanharam sarampo em pequenos e cumpriram a escolaridade obrigatória.

São seres multifacetados, verdadeiros homens e mulheres da Renascença, que estão naturalmente tão à vontade no cesto da gávea de um submarino como na discussão da polifonia em Marcel Marceau; gente extraordinariamente capaz, habilitada tanto para acabar com as listas de espera nas clínicas privadas como para introduzir a cultura de caracóis no ensino oficial (que os nossos jovens estão cada vez mais incultos e a biodiversidade é o épico do futuro).

Conheço mal a Dra. Teresa Caeiro, mas não me repugna crer que se trata de um destes sobredotados. Também não me repugna crer que o Pai Natal e o Coelho da Páscoa vivam amancebados no Castelo da Branca de Neve. Que o governo que me governa seja constituído por mal paridos soldadinhos de latão, aleatoriamente permutáveis num qualquer exercício púbere de contagem de espingardas, isso já me causa um certo asco.